ARGUIDO NO CASO "ZÉ DO BENFICA" CONDENADO EM CASCAIS

Por Valdemar Pinheiro
Tribunal de Cascais que julgou e condenou Cordeiro a 8 anos

21.02.2016
Já tinha sido condenado a 8 anos de prisão pelo Tribunal de Cascais um dos quatro arguidos no caso de narcotráfico de cocaína conhecido por “Zé do Benfica”, que envolve José Carriço, ex- diretor do SLBenfica, entretanto demitido por Luís Filipe Vieira, apurou Cascais24.
 
Mário Cordeiro, um dos quatro arguidos, fora condenado por tráfico de estupefacientes por acórdão proferido no âmbito do processo n.º 82/01.8JELSB, transitado em julgado a 4 de Março de 2009 do 3.º Juízo Criminal do Tribunal de Cascais.
Cordeiro encontrou-se, ininterruptamente, privado da liberdade desde o dia 21 de Agosto de 2005, tendo atingido o final da pena em 21 de Agosto de 2013.
Agora, na acusação deduzida pela 4.ª Secção do DIAP de Sintra aos quatro arguidos na rede conhecido por “Zé do Benfica”, o Ministério Público salienta, referindo-se a Mário Cordeiro que, “não obstante a condenação, verifica-se que a mesma não lhe serviu de suficiente advertência contra o crime”, motivo pelo qual “deve ser considerado reincidente”.
À semelhança de um outro arguido no processo, Mário Cordeiro aguarda os “ulteriores termos do processo” em liberdade, mediante Termo de Identidade e Residência (TIR) e com apresentações semanais.
Cordeiro, de 64 anos, possui ficha biográfica na PJ por tráfico de estupefacientes e consumo e, ainda, por violação.

Códigos

José Carriço com Luís Filipe Vieira
“Ponta de Lança”, “jogadores”, “boa técnica” e/ou “boa leitura de jogo”, eram alguns dos códigos que José Manuel Rodrigues Carriço, também conhecido como “Zé do Clube”, director do SLB, entretanto demitido, utilizava nos contactos com a rede de narcotráfico de cocaína, que a brigada Antidroga da PJ desmantelou no ano passado- um esquema denunciado pelo matutino portuense “Jornal de Noticias” (JN).
José Carriço, também conhecido entre os seus pares da rede por “Zé do Benfica” ou “Zé do Clube” ou, ainda, “Zé, amigo do clube”, 54 anos, e o “sócio” José Manuel Aguilar Santos Seco, também conhecido “pelo Homem lá de Cima”, do Norte, 58 anos, estão em prisão preventiva e são, juntamente com dois outros, entre os quais Mário Cordeiro, os principais arguidos acusados pelo DIAP de Sintra pelo crime de tráfico de estupefacientes agravado.
Depois de, pelo menos, seis tentativas de introduzir cocaína em Portugal, a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e com origem em voos do Brasil e da Venezuela, abortadas, fosse por falhas dos fornecedores, fosse pela intervenção das policias portuguesa e brasileira, Carriço acabou por ser apanhado, em flagrante, naquela que poderia ter sido a única “operação” com sucesso da rede.

Flagrante

O director do SLB foi a Valença a 19 de Julho do ano passado buscar 9,650 quilos de cocaína para distribuir na Grande Lisboa. Dois dias depois, no regresso a Lisboa, ao volante do Audi A4, com matricula 14-LZ-44, pertença do Benfica e entretanto, devolvido ao clube a 8 de Janeiro último, foi desviado por uma patrulha da Unidade Nacional de Trânsito da GNR para a Área de Serviço de Santarém.
"Zé do Benfica" a conduzir o presidente
Eram 23h55 e aqui Carriço era esperado por dois dos seis inspectores da brigada antidroga da PJ, que investigavam a rede desde Novembro de 2014. Na busca ao carro, dentro de uma mala de viagem foi encontrada a droga, distribuída por 9 embalagens, além de três telemóveis, qualquer deles sob escuta da Judiciária.
Mais tarde, na casa de Carriço, em Santo António dos Cavaleiros, Loures, os inspectores confiscaram mais quatro telemóveis, um tablet e uma pistola ilegal, adquirida no mercado negro, e na busca ao Gabinete de Apoio ao Jogador, no Estádio da Luz, com entrada pela porta 18, onde Carriço, antigo motorista de Luís Filipe Vieira, prestava serviço, a PJ apreendeu um disco rígido do PC com 500GB.
A investigação da PJ à rede durou oito meses e centrou-se em José Carriço, cujo plano, segundo a acusação deduzida pelo MP, assentava no transporte de droga desde a América do Sul em malas de viagem e a sua entrada em Portugal, através do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde a rede possuía contactos com acesso às bagagens e com capacidade para as retirar em segurança, sem que fossem sujeitas ao controlo alfandegário.
A rede, no entanto, ao longo da sua curta atividade, sofreu mais desaires do que propriamente sucessos. É que a droga, em malas de viagem, nunca chegaram ao destino. Em Novembro de 2014, por exemplo, a PJ confiscou no Aeroporto de Lisboa uma mala enviada de S. Paulo, Brasil, no voo TP082, com 16 embalagens de cocaína. Tinha sido enviada por engano pelo fornecedor no Brasil para Lisboa quando, na realidade, devia ter seguido para o Aeroporto do Porto.
Já uma outra remessa, prevista para chegar ao Porto em Março do ano passado, ficou no Aeroporto de Guarulhos, em S. Paulo, quando a “correio” enviada pela rede ao Brasil, a portuguesa Débora Lopes, 22 anos, foi detida pela Polícia Federal com 8,9 quilos de cocaína numa mala. No mês seguinte, em Abril nova mala, desta feita com 27 quilos de cocaína, ficou em Guarulhos. Devia chegar ao Porto no dia seguinte. Desta vez não houve detidos no Brasil.
Os inspectores da brigada antidroga da PJ, durante a investigação, apuraram, ainda e monitorizaram, encontros de Carriço e Seco com outros suspeitos no Hotel IBIS, na Avenida José Malhoa, em Lisboa, em Vila Nova de Gaia e em Valença, no Norte do País.
 
 
 
 
 
 

 

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