AGREDIU GNR COM PÉ DE CABRA E AGORA DIZ-SE "ARREPENDIDO"

Por Cascais24
14.03.2016

O jovem que, em março do ano passado, agrediu com um pé de cabra na cabeça um militar da GNR de Alcabideche, durante uma intervenção para pôr fim a uma festa ilegal, no Bairro da Cruz Vermelha, assegurou esta segunda-feira, perante o coletivo do Tribunal de Cascais, querer "assumir a sua responsabilidade" e que estava "completamente arrependido".  

"Se pudesse, gostava de remediar a situação. E devo um pedido de desculpas aos militares da GNR. Já passou tempo suficiente para pensar nos erros que cometi e só quero mostrar que estou arrependido", acrescentou, perante o coletivo de juízes.

O arguido, de 20 anos, em prisão preventiva, contou que tudo aconteceu na sequência de uma festa de aniversário, no qual estiveram reunidas cerca de meia centena de pessoas e que, perante queixas da música alta, a GNR apareceu para pôr fim à situação e dispersar as pessoas.

Ao tribunal, o jovem reconheceu que, na altura, "estava bastante embriagado", foi alvo de uma revista, que considerou "agressiva" por um dos militares e acabou por fugir para sua residência, no bairro. 

Na fuga foi intercetado com "uma rasteira" por um dos militares, que lhe começou "a bater violentamente com pontapés e cassetete".


Foi nesta sequência, e depois de um dos seus amigos, também arguido no processo, ter tentado separar o militar, que acabou por o atingir com o pé de cabra na cabeça.

Dois outros arguidos no processo em julgamento negaram qualquer agressão aos militares e afirmaram que só “quiseram proteger o amigo da violência da GNR”.

"Não ia deixar o miúdo a levar 'porrada', deitado no chão, com um cassetete, e não fazer nada. Pus-me à frente do militar, a pedir-lhe que parasse, mas nunca lhe dei um murro ou agarrei no pescoço, como diz a acusação", afirmou um dos arguidos, de 23 anos.

De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), dois dos sete militares da GNR deslocados ao local foram agredidos com murros e atingidos com um pé de cabra por dois dos arguidos, que estão também acusados de homicídio qualificado na forma tentada.

Em consequência dos confrontos e das agressões, registados na madrugada de 22 de março, no Bairro da Cruz Vermelha, em circunstâncias que então Cascais24 noticiou em pormenor, um dos militares "ficou totalmente incapacitado para o trabalho durante 73 dias" e o outro "esteve 10 dias impossibilitado de trabalhar".

A acusação refere ainda que, apesar dos reiterados avisos para acabar com a festa e para dispersar, algumas pessoas, entre elas os arguidos, permaneceram no local e começaram a agredir verbalmente os militares da GNR.


 Os episódios de violência física, acrescenta o MP, começaram de seguida, tendo os arguidos "arremessado pedras e outros objetos na direção dos militares da GNR e das suas viaturas".

A acusação salienta que a situação "obrigou" os militares a efetuarem vários disparos com balas de borracha para o ar.

Na sequência dos desacatos, dois dos militares foram agredidos por dois dos arguidos com um pé de cabra, na cabeça e noutras partes do corpo.

Os arguidos, com idades entre 20 e 22 anos, respondem por desobediência à ordem ou dispersão de reunião pública, injúria agravada, resistência e coação, dano e ofensa à integridade física qualificada.

O julgamento continua dentro de dias, encontrando-se agendadas mais duas audiências até ao final do mês.

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