O jovem que, em março do ano passado, agrediu com um pé de
cabra na cabeça um militar da GNR de Alcabideche, durante uma intervenção para
pôr fim a uma festa ilegal, no Bairro da Cruz Vermelha, assegurou esta
segunda-feira, perante o coletivo do Tribunal de Cascais, querer "assumir
a sua responsabilidade" e que estava "completamente
arrependido".
"Se pudesse, gostava de remediar a situação. E devo um
pedido de desculpas aos militares da GNR. Já passou tempo suficiente para
pensar nos erros que cometi e só quero mostrar que estou arrependido",
acrescentou, perante o coletivo de juízes.
O arguido, de 20 anos, em prisão preventiva, contou que tudo
aconteceu na sequência de uma festa de aniversário, no qual estiveram reunidas
cerca de meia centena de pessoas e que, perante queixas da música alta, a GNR
apareceu para pôr fim à situação e dispersar as pessoas.
Ao tribunal, o jovem reconheceu que, na altura, "estava
bastante embriagado", foi alvo de uma revista, que considerou "agressiva"
por um dos militares e acabou por fugir para sua residência, no bairro.
Na fuga foi intercetado com "uma rasteira" por um
dos militares, que lhe começou "a bater violentamente com pontapés e
cassetete".
Foi nesta sequência, e depois de um dos seus amigos, também
arguido no processo, ter tentado separar o militar, que acabou por o atingir
com o pé de cabra na cabeça.
Dois outros arguidos no processo em julgamento negaram
qualquer agressão aos militares e afirmaram que só “quiseram proteger o amigo
da violência da GNR”.
"Não ia deixar o miúdo a levar 'porrada', deitado no
chão, com um cassetete, e não fazer nada. Pus-me à frente do militar, a
pedir-lhe que parasse, mas nunca lhe dei um murro ou agarrei no pescoço, como
diz a acusação", afirmou um dos arguidos, de 23 anos.
De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), dois
dos sete militares da GNR deslocados ao local foram agredidos com murros e
atingidos com um pé de cabra por dois dos arguidos, que estão também acusados
de homicídio qualificado na forma tentada.
Em consequência dos confrontos e das agressões, registados
na madrugada de 22 de março, no Bairro da Cruz Vermelha, em circunstâncias que
então Cascais24 noticiou em pormenor, um dos militares "ficou totalmente
incapacitado para o trabalho durante 73 dias" e o outro "esteve 10
dias impossibilitado de trabalhar".
A acusação refere ainda que, apesar dos reiterados avisos
para acabar com a festa e para dispersar, algumas pessoas, entre elas os
arguidos, permaneceram no local e começaram a agredir verbalmente os militares
da GNR.
Os episódios de violência física, acrescenta o MP, começaram
de seguida, tendo os arguidos "arremessado pedras e outros objetos na
direção dos militares da GNR e das suas viaturas".
A acusação salienta que a situação "obrigou" os
militares a efetuarem vários disparos com balas de borracha para o ar.
Na sequência dos desacatos, dois dos militares foram
agredidos por dois dos arguidos com um pé de cabra, na cabeça e noutras partes
do corpo.
Os arguidos, com idades entre 20 e 22 anos, respondem por
desobediência à ordem ou dispersão de reunião pública, injúria agravada,
resistência e coação, dano e ofensa à integridade física qualificada.
O julgamento continua dentro de dias, encontrando-se
agendadas mais duas audiências até ao final do mês.
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