Assassinou amigas e escondeu corpos na fossa de hotel de luxo de cães em Tires

Por Valdemar Pinheiro
As três jovens brasileiras assassinadas em Tires

27.08.2016


Esta sexta-feira, a noticia avançada em primeira mão por CASCAIS24 veio confirmar os piores e bizarros receios. 

Os cadáveres das irmãs Michele Santana Ferreira, de 28 anos, e Lidiana Neves Santana, de 16, naturais de Campanário, no Vale do Rio Doce, do Estado de Minas Gerais, e de uma amiga, Thayane Mila Mendes Dias, de 21 anos, do Estado do Espírito Santo, cidadãs brasileiras dadas como desaparecidas em Portugal pela família desde fevereiro último, foram descobertos na fossa de dejetos de animais do hotel de cães do Monte dos Vendavais, em Tires.


Durante longas seis horas, 7 operacionais dos Bombeiros Voluntários de Parede desenvolveram trabalhos para resgatar os corpos das três jovens - uma operação que passou pelo esgotamento de águas e dejetos de mais de 200 a 300 animais do luxuoso hotel de animais do Monte dos Vendavais, fundado na década de 80 em Tires, concelho de Cascais. 
Bombeiros de Parede resgataram corpos

Os corpos, em adiantado estado de decomposição, encontravam-se a alguns metros de profundidade do tanque de dejetos.


A operação de resgate, iniciada pelas 12h10 e terminada pelas 18h40, foi acompanhada por três brigadas de inspetores da Unidade Nacional Contra Terrorismo da Polícia Judiciária (PJ).

Pela complexidade do caso, desde que foi conhecido o triplo desaparecimento que esta unidade especial da PJ, liderada por Luís Neves, investigava o estranho desaparecimento das três jovens em Portugal, em colaboração com a Polícia Federal brasileira e a Interpol.
Luís Neves, diretor da Unidade Contra Terrorismo da PJ

Já em abril último, inspetores daquela Unidade e Bombeiros de Parede tinham esgotado as águas de, pelo menos, três poços, dois situados dentro do perímetro do hotel de animais e outro no exterior, mas sem sucesso, soube Cascais24.


Os corpos agora resgatados foram removidos para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa, onde serão  autopsiados na próxima segunda-feira. 

Enquanto não for conhecido o resultado médico-legal, "é prematuro avançar com circunstâncias em que as vítimas foram mortas", observou, a Cascais24, fonte próxima da investigação. 

No entanto, a polícia não exclui a hipótese de cada vítima ter sido estrangulada, em circunstâncias separadas.

O principal suspeito


O principal suspeito do triplo homicídio é o também brasileiro Dinai Alves Gomes que trabalhou oito anos como faxineiro no luxuoso hotel de animais do Monte dos Vendavais. 

Era aí, num anexo, que vivia, antes de partir para o Brasil depois dos desaparecimentos.



Curioso é que moradores paredes-meias com o hotel de animais afirmam, mesmo perante a exibição de fotos de Dinai, que “nunca o viram”, tão pouco às três jovens agora encontradas mortas.


Dinai era o namorado de Michele, 28 anos, alegadamente grávida de 3 meses e que, devido à circunstância, terá levado o suspeito a arquitetar todo o bizarro triplo assassínio.

Dinai Gomes, o principal suspeito e as suas três vítimas
Receando de que a mulher, brasileira, que vinha ter com ele a Portugal, descobrisse que tinha uma amante e, ainda por cima, grávida, Dinai terá decidido matar Michelle, a irmã e a namorada desta, entretanto chegadas a Portugal. 

Os crimes terão sido praticados no hotel de luxo de cães, em Tires, na véspera da chegada da mulher a Lisboa, em fevereiro último.

Com os corpos das três jovens lançados na fossa, Dinai terá partido precipitadamente com a mulher para o Brasil, aparentemente sem sequer avisar o patrão, dono do conhecido hotel de luxo de animais junto ao Aeródromo de Tires, que foi encontrar o anexo onde ele vivia completamente abandonado.
Dinai Gomes

Dinai encontra-se atualmente a viver em Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha.

Já no Brasil, Dinai terá informado as famílias das três jovens, que sempre suspeitaram da sua versão, e a Polícia Federal, de que “elas tinham viajado para Londres, Inglaterra”. 


A verdade é que as autoridades nunca encontraram qualquer registo de saída das jovens do território português, nem da sua entrada no Reino Unido, segundo apurou, entretanto, a Interpol que, através do seu gabinete no Brasil, chegou a emitir três difusões Amarelas.

Interrogado pela Polícia Federal brasileira, Dinai Gomes reafirmou que "as jovens tinham viajado para Londres" e que "desconhecia mais pormenores.

Atualmente em liberdade no Brasil, Dinai vai agora, com a descoberta dos corpos das três jovens, ter muito que explicar. Resta é saber quem acusa e vai julgar o principal suspeito de crime tão bizarro.

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