Ex-gestores do Autódromo admitem ter usado cartões de crédito da Circuito Estoril para pagar propinas e cabeleireiros por "distração"

Por CASCAIS24

15.03.2017


Acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de abuso de poder, falsificação de documentos e peculato, os ex-gestores da Circuito Estoril, empresa estatal que explora o Autódromo, Domingos Piedade e Isabel Brazão admitiram esta quarta-feira, na primeira sessão de julgamento, no Tribunal de Cascais, que usaram os cartões de crédito da empresa em despesas pessoais e levantamentos, mas por “distração” e “lapso”.

Nesta primeira sessão de julgamento, Domingos Piedade, antigo presidente do conselho de administração da Circuito Estoril, admitiu ao coletivo de juízes ter usado o cartão de crédito da empresa para a realização de algumas despesas pessoais, nomeadamente para pagar as propinas da faculdade do filho, mas ressalvou que o fez por "distração".

"O meu cartão pessoal era do mesmo banco e da mesma cor. Houve situações em que usei o da empresa por mero engano. Não tinha mesmo consciência do que o estava a usar", argumentou o antigo administrador.

Piedade alegou, ainda, que algumas despesas que tinham sido consideradas pessoais, como o pagamento de hotéis, medicamento e cartões de telemóveis, tinham sido feitas em representação da Circuito Estoril.

"Eu estive muitos anos na Alemanha e há muitas coisas que faço que podem não ser consideradas aqui normais", explicou.

Também Isabel Brazão, outra arguida neste processo e ex-gestora, negou os crimes que lhe são imputados e, à semelhança de Domingos Piedade, alegou que a utilização do cartão de crédito da empresa que lhe estava atribuído, foi feita "por lapso" para despesas pessoais, nomeadamente cabeleireiros.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), os dois antigos gestores da Circuito Estoril (CE), detida desde 2002 pela Parpública, holding do Estado, utilizaram, entre 2007 e 2012, o cartão de crédito da empresa em despesas pessoais e receberam vencimentos adiantados, que acabaram por não ser autorizados pelo ministério das Finanças.

Além de um salário entre 3.528 e 3.885 euros, Domingos Piedade e Isabel Brasão tinham um cartão de crédito com plafond até 7.500 euros para despesas ao serviço da Circuito Estoril. 

Domingos Piedade e Isabel Brazão são acusados pelo Ministério Público de utilizarem o cartão de crédito "para pagamento de despesas pessoais" e "levantamentos".

A acusação revela que Domingos Piedade terá usado indevidamente 37.900 euros, dos quais o ex-gestor ainda terá em dívida 14.600 euros (8.600 relativos ao adiantamento de vencimentos e 5.900 de despesas consideradas pessoais).

No mesmo despacho, a acusação precisa que Domingos Piedade e Isabel Brazão continuaram a usar o cartão de crédito mesmo depois de o Governo, em março de 2012, ter proibido essa prática aos gestores públicos.

Domingos Piedade vai continuar a ser ouvido pelo coletivo na próxima sessão do julgamento, que está marcada para o dia 3 de abril, pelas duas horas da tarde.

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